November 6, 2026

JBS and its financial backers are being denounced in Europe for money laundering linked to illegal deforestation

By Repórter Brasil

Coalizão de organizações que apresentou as denúncias diz que a JBS pode estar associada a mais de 6,5 milhões de hectares desmatados na Amazônia entre 1988 e 2026. Empresa questiona omissão dos dados em que se baseiam as alegações.

A MULTINACIONAL BRASILEIRA JBS, maior processadora de carne do mundo, foi denunciada nesta quarta-feira (4), na Europa, por lavagem de dinheiro vinculada a desmatamento ilegal na Amazônia brasileira. 

As acusações foram feitas por organizações integrantes da Coalizão Jurídica Transnacional (Transnational Legal Coalition, TLC na sigla em inglês).

A JBS N.V., controladora global do grupo, foi alvo de uma notícia-crime apresentada ao Ministério Público dos Países Baixos, onde é sediada. Já a JBS Global (UK) Limited foi denunciada à National Crime Agency (NCA) e à Autoridade de Conduta Financeira (FCA), ambas do Reino Unido.

A TLC denunciou, ainda, financiadores1 e detentores de ativos da JBS, além de escritórios de advocacia e contabilidade que prestam serviços para a multinacional brasileira. Tais denúncias — 12 no total — foram apresentadas a órgãos reguladores financeiros e autoridades responsáveis pela fiscalização das leis contra a lavagem de dinheiro em quatro jurisdições europeias: Reino Unido, Irlanda, Alemanha e Países Baixos. 

Segundo a coalizão, um relatório encomendado à organização holandesa AidEnvironment revelou que a JBS pode ser associada a mais de 6,5 milhões de hectares de terras desmatadas na Amazônia brasileira entre 1988 e 2026 para a criação de gado que abastece a empresa. 

A coalizão também informa que investigações sobre a JBS realizadas pela Repórter Brasil formam “uma base fundamental importante para o conjunto de evidências do TLC”.

“A JBS lamenta que a campanha da ONG tenha omitido os supostos dados em que se baseiam as alegações contra a Companhia, o que a impede de tomar providências a respeito”, respondeu a empresa à Repórter Brasil.

A JBS afirmou ainda que monitora seus fornecedores com base em critérios definidos em protocolo estabelecido pelo Ministério Público Federal. “O sistema analisa diariamente mais de 600 mil km² do território brasileiro e bloqueia automaticamente fazendas com desmatamento ilegal, áreas embargadas, sobreposição com terras indígenas, territórios quilombolas ou unidades de conservação, ou trabalho análogo ao escravo”, complementa (leia aqui a resposta na íntegra).

De acordo com a TLC, a AidEnvironment constatou que cerca de metade do desmate supostamente associado à JBS teria sido causada por fornecedores diretos, enquanto a outra metade por fornecedores indiretos. Mais de 80% dos casos, além disso, teriam acontecido em áreas protegidas, como Reservas Legais e APPs (Áreas de Preservação Permanente).

Segundo o comunicado de imprensa divulgado pela coalizão, os lucros obtidos pela JBS com a venda do gado supostamente produzido em áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia estariam sendo usados para pagar financiadores e facilitadores sediados na União Europeia, “apesar dos marcos legais contra a lavagem de dinheiro aplicáveis nas quatro jurisdições europeias onde as denúncias foram apresentadas”.

“A destruição florestal na Amazônia levanta questões sérias para bancos aqui na Europa”, diz Gearóid Ó Cuinn, diretor da Global Legal Action Network, uma das organizações integrantes da TLC. “Nossas evidências de suposto desmatamento criminoso na cadeia de suprimentos da JBS exigem que as instituições financeiras que a apoiam sejam submetidas a uma análise rigorosa, à luz das leis de combate à lavagem de dinheiro”, complementa.

Nota da Forests & Finance:

  1. As instituições financeiras processadas são:
    Rabobank e ING Bank, nos Países Baixos;
    BlackRock Asset Management Deutschland AG, na Alemanha;
    BlackRock Asset Management Ireland Ltd na Irlanda; e

    Barclays Bank, Standard Chartered, Bank of

    Montreal, Banco do Brasil and BB Securities Limited no Reino Unido