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Principais conclusões de investimento de julho de 2022

A análise de investimento de junho de 2022 mostra um total de 48,6 bilhões de dólares detidos por investidores em títulos e ações em 239 empresas de commodities com risco florestal nas três maiores regiões de floresta tropical do mundo. Esse número representa um aumento de 17% (7 bilhões de dólares) desde setembro de 2021.
A variação dos números pode ser parcialmente atribuída à melhoria da disponibilidade de dados, às variações dos preços das ações e às flutuações das taxas de câmbio. No entanto, ao analisarmos os dados com mais profundidade, restam claras as tendências de aumento de investimentos por certos atores, apesar da enxurrada de compromissos do setor financeiro em novembro de 2021 na COP 26, em Glasgow. Dentre eles, a criação da Aliança Financeira de Glasgow para Emissões Líquidas Zero (GFANZ, na sigla em inglês), que reuniu instituições financeiras para alinhar seu financiamento com a meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5 grau Celsius acima dos níveis pré-industriais e acelerar a transição para uma economia com zero emissões líquidas.

Como mostra a Figura 1, o maior setor de títulos e participações em maio de 2022 era o setor de óleo de palma, com 22,1 bilhões de dólares. Logo atrás, vieram 13,1 bilhões de dólares para o setor de papel e celulose; 5,2 bilhões de dólares para setor da carne de bovino; 3,3 bilhões de dólares para a soja; 3 bilhões de dólares para a borracha; e 1,9 bilhão de dólar para o setor madeireiro.

Figura 1. Investimento por setor (maio de 2022)


As instituições financeiras de seis países foram responsáveis por quase 85% do investimento total detido em títulos e ações com base nos últimos registros em maio de 2022. Foram eles (Figura 2: EUA (14,6 bilhões de dólares), Malásia (12,6 bilhões de dólares), Brasil (5,8 bilhões de dólares), Japão (3,6 bilhões de dólares), Chile (3 bilhões de dólares) e Reino Unido (1,5 bilhão de dólar).

Figura 2. Maiores dez países com investimentos de instituições financeiras por região com risco florestal (maio de 2022)

Os investidores com maior exposição financeira a setores de commodities com risco florestal no Sudeste Asiático, na América Latina e na África Ocidental e Central incluem três dos principais fundos apoiados pelo público da Malásia: o Blackrock e o Vanguard, com sede nos EUA — as maiores gestoras de ativos do mundo — e o Banco de Crédito e Inversiones (BCI) do Chile. No caso do BCI, sua ascensão à lista dos principais investidores provavelmente está relacionada com a melhoria da cobertura de dados sobre sua posição de investidor que possui títulos de dívida emitidos por empresas ou governos nas bases de dados financeiros, as quais são a fonte dos nossos dados.

Figura 3. Dez maiores investidores por setor (maio de 2022)

Esses números demonstram um aumento substancial na escala de financiamento para os setores de commodities mais significativos para o desmatamento tropical, a degradação ambiental e os conflitos sociais em todo o mundo. Aumentar o apoio a esses setores sem fortalecer as políticas de ESG e os procedimentos de due diligence prejudica a capacidade global de cumprir as metas climáticas ou alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

América Latina

Grande parte do investimento na América Latina está fluindo para os setores de celulose e papel e carne bovina. Entre os dez maiores investidores, quatro grandes gestoras de investimento dos EUA representam um terço do investimento, fornecendo 2,9 bilhões de dólares para empresas produtoras de commodities que operam principalmente no Brasil. Apesar das crescentes preocupações da sociedade civil sobre os ataques sem precedentes aos direitos dos povos indígenas e as reversões nas proteções ambientais sob o governo de Bolsonaro, esses investidores continuam a fornecer um financiamento enorme. Recentemente, os assassinatos brutais de Bruno Pereira e Dom Phillips, que estavam trabalhando para defender os direitos dos povos indígenas e as proteções ambientais, foram ligados à escalada da violência sob Bolsonaro. Isso demonstra o desmonte sistemático dos direitos humanos e das proteções ambientais no Brasil, realidade que as empresas de commodities e seus investidores não podem ignorar.

Figura 4. Dez maiores investidores da América Latina por setor (maio de 2022)